Xiaomi Redmi Watch 5 Active: a bateria cumpre os 18 dias quase à risca, mas há relatos de reinicializações que apagam os dados
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Foto oficial do fabricante (Xiaomi), usada para ilustrar esta análise.
Para quem é (e para quem não é)
É para quem quer companhia no pulso 24 horas por dia sem se preocupar em carregar toda noite: com 30,6 g sem a pulseira, ele desaparece no punho, e a bateria aguenta de 11 a 18 dias dependendo do uso. Serve bem a quem malha em academia, faz caminhada no bairro ou quer só ver notificação e frequência cardíaca sem carregar um relógio pesado.
Não é para quem corre ou pedala sério e precisa de mapa de rota preciso — a ausência de GPS integrado obriga a levar o celular, e a detecção automática de atividade não funcionou nos testes que consultamos. Também não é para quem quer pagar por aproximação (sem NFC) ou instalar Spotify e Strava direto no relógio (o sistema é fechado). E vale entrar sabendo: existem relatos de reinicializações espontâneas que merecem atenção antes da compra.
A bateria é o que a Xiaomi promete — quase
A ficha oficial da Xiaomi declara 470 mAh de bateria com autonomia de até 18 dias em uso típico e uma bateria que carrega em cerca de duas horas por um cabo magnético próprio (sem carregamento sem fio). Isso é publicidade do fabricante, então o que interessa é o teste de quem realmente usou o relógio por semanas.
O TechTudo mediu 16 dias em uso típico e 11 dias em uso intenso — ligeiramente abaixo dos 18 e 12 dias declarados, mas perto o suficiente para não soar como exagero de marketing. A Canaltech, em outro teste, registrou cerca de 22% de consumo em 3 dias, o que projeta uma autonomia na mesma faixa. Ou seja: duas análises independentes, medindo de formas diferentes, chegam a números parecidos e favoráveis. Para um relógio nessa faixa de preço, é um dos poucos pontos sem contestação.
O detalhe que incomoda é a recarga: 30 minutos de carga rendem cerca de 10% a 40% de bateria, e uma carga completa leva perto de duas horas — e só por cabo magnético proprietário, sem opção de carregamento sem fio padrão Qi como em modelos mais caros.
Sem GPS, sem NFC, e a detecção automática não funciona
Aqui está o trio de ausências que mais pesa contra o relógio, e que nenhuma das análises que consultamos escondeu.
Sem GPS integrado. A ficha técnica oficial não lista GPS entre os recursos de conectividade — só Bluetooth 5.3. Na prática, isso significa que para registrar com precisão a rota de uma corrida ou pedalada, o celular precisa acompanhar o treino. Sem ele, o relógio ainda conta passos e mede frequência cardíaca, mas não desenha o mapa do percurso.
Detecção automática de exercício falhou nos testes. Tanto o TechTudo quanto a Canaltech relataram que o relógio não reconheceu automaticamente caminhadas durante os testes, sempre exigindo ativação manual do modo esportivo. Para quem espera vestir o relógio e sair andando sem tocar em nada, isso é um incômodo real e recorrente — não um evento isolado.
Sem NFC. Não há pagamento por aproximação. Quem procura essa função (comum em outros smartwatches, inclusive de linhas mais baratas de outras marcas) não vai encontrá-la aqui.
Some a isso o sistema fechado: o HyperOS via app Mi Fitness não permite instalar aplicativos de terceiros como Spotify ou Strava direto no relógio. O que vem pronto de fábrica é o que você tem.
Reinicializações espontâneas: o que os relatos dizem
Este é o achado que mais chamou atenção nesta apuração, e merece ser tratado com o cuidado que a regra desta casa pede: um relato não é uma estatística, mas quando aparece mais de uma vez no mesmo lugar, vale registrar.
No fórum Clube do Hardware, um usuário descreveu o problema em detalhe: o relógio reinicia sem aviso, de 3 a 4 vezes por dia, retorna às configurações de fábrica, perde dados de sono, batimentos e esportes registrados, e ainda volta o idioma para inglês. Ele relatou ter tentado três hard resets e atualizado o firmware para a versão mais recente, sem resolver. Uma segunda pessoa respondeu no mesmo tópico confirmando: “Estou com o mesmo problema, já tentei de tudo… vi que tem muitas pessoas com o mesmo problema.”
Separadamente, no Reclame Aqui, outro usuário relatou um conjunto diferente de falhas: o pace instantâneo mostrado errado durante corrida (07:30 exibido quando o ritmo real era 05:40), distância total das atividades incorreta, sincronização com o celular com atrasos e falhas frequentes, e imprecisão em frequência cardíaca e contagem de passos.
São dois problemas distintos — um de estabilidade do firmware, outro de precisão de sensores/sincronização — relatados por usuários diferentes, em canais diferentes. Não dá para quantificar que fração dos aparelhos apresenta isso, e a maioria das análises profissionais não relatou o problema de reinicialização durante o período de teste mais curto delas. Mas ignorar os relatos seria menos honesto do que registrá-los.
Vale contexto adicional: a Xiaomi do Brasil aparece com reputação “NÃO RECOMENDADA” no Reclame Aqui — uma nota da marca como um todo, não deste modelo especificamente, mas que soma ao quadro.
O que a ficha oficial confirma
Fora os pontos já cobertos, o resto da ficha da Xiaomi é favorável e consistente:
Tela LCD quadrada de 2”, resolução 320 x 385 (250 PPI) e até 500 nits de brilho — suficiente para leitura sob luz direta do sol, segundo a Canaltech.
Moldura em plástico com revestimento de spray de metal — não é metal de verdade, mas a Canaltech notou que a construção soa mais simples do que o preço sugere, sensação reforçada pelo material.
5 ATM de resistência à água, o que cobre banho e natação em piscina sem necessidade de retirar o relógio.
Chamada por Bluetooth com dois microfones, com áudio descrito como “claro” pela Canaltech — um dos poucos recursos de comunicação que funcionou bem nos testes.
Mais de 140 modalidades esportivas pré-cadastradas, cobrindo desde corrida e ciclismo até musculação e ioga — mesmo que a ativação precise ser manual.
Um dado que gerou divergência: a ficha oficial declara 30,6 g sem a pulseira, enquanto a Canaltech, em teste prático, registrou 44 g — provavelmente com a pulseira colocada, mas a análise não deixou isso explícito. Registramos os dois números porque medem coisas potencialmente diferentes, e nenhuma fonte esclareceu a metodologia da outra.
Vale a pena?
A nota 6,2 reflete um produto de hardware honesto disputando um espaço em que o software e a confiabilidade pesam mais do que parecem à primeira vista. A bateria é o ponto mais forte e o mais bem verificado: dois testes independentes confirmaram autonomia próxima da promessa oficial, e o peso de 30,6 g sem pulseira faz dele um relógio fácil de esquecer no pulso, inclusive dormindo.
O que puxa a nota para baixo é uma combinação de ausências de recurso (GPS, NFC, carregamento sem fio) com falhas de execução relatadas por usuários reais (reinicializações que apagam dados, pace e distância incorretos, sincronização instável) — e o próprio veredito da Canaltech de que o preço oficial da Xiaomi no Brasil não faz muito sentido frente à concorrência direta.
Traduzindo: se o seu uso é malhar em ambiente fechado, dormir com o relógio no pulso e receber notificação, ele cumpre. Se você precisa de GPS confiável para corrida ao ar livre ou não quer arriscar um relato de reinicialização espontânea, vale pesquisar a fundo antes — e comparar o preço do momento com o de concorrentes diretos.
Compare também
Quem usa o Redmi Watch 5 Active vai parear com o celular via Bluetooth o dia inteiro — e se a ideia é ficar dentro do ecossistema Xiaomi, o Redmi Note 14 5G é o parceiro natural. Para quem já decidiu por outra marca de telefone e não quer abrir mão de rodar bem o app Mi Fitness, o Moto G35 5G e o Samsung Galaxy A36 5G são opções de entrada e meio de tabela testadas aqui no site.
Prós
- Bateria medida de forma independente em 16 dias de uso típico e 11 dias de uso intenso — perto dos 18 e 12 dias que a Xiaomi promete
- 30,6 g sem a pulseira, segundo a ficha oficial: dá para dormir com ele no pulso sem incômodo
- Chamada por Bluetooth com dois microfones, e a Canaltech descreveu o áudio como claro
- 5 ATM de resistência à água: entra no banho e na piscina sem cuidado especial
- Mais de 140 modalidades esportivas registráveis direto no relógio, sem precisar abrir o celular
- Tela LCD de 2" com até 500 nits de brilho, legível sob luz direta
Contras
- Sem GPS integrado: para registrar a rota de uma corrida ou pedalada, o celular precisa ir junto
- A detecção automática de caminhada falhou em dois testes independentes que consultamos — sempre exigiu ativação manual
- Relatos de reinicializações espontâneas que apagam dados de sono, batimento e esportes, mesmo após reset de fábrica e atualização de firmware
- Reclame Aqui tem queixa documentada de pace e distância errados durante corrida, e falhas de sincronização com o app
- Construção inteiramente em plástico, sem NFC para pagamento por aproximação e sem carregamento sem fio
- Sistema fechado: não instala apps de terceiros como Spotify ou Strava, só o que vem pronto no HyperOS
De onde vêm estes dados
Não compramos este produto. Esta análise reúne especificações do fabricante e medições de testes independentes — as fontes estão abaixo para você conferir.
- Xiaomi Brasil — ficha técnica oficial do Redmi Watch 5 Active (dimensões, peso, bateria, tela, sensores)
- TechTudo — teste de uso prolongado com medição real de bateria e confirmação da ausência de GPS
- Canaltech — análise completa com peso medido e comparação de preço frente à concorrência
- Reclame Aqui — reclamação documentada de erro de pace, distância e sincronização
- Clube do Hardware — fórum com relato de reinicializações espontâneas, confirmado por outro usuário no mesmo tópico
Perguntas frequentes
O Redmi Watch 5 Active tem GPS?
Não. A ficha técnica oficial da Xiaomi não lista GPS entre os recursos de conectividade, e tanto o TechTudo quanto a Canaltech confirmaram em teste: para registrar a rota de uma corrida ou pedalada com precisão, o celular precisa estar por perto. Sem ele, o relógio ainda mede passos e frequência cardíaca, só não desenha o mapa do percurso.
Ele reinicia sozinho mesmo?
Existem relatos nesse sentido, embora não seja possível afirmar que é um defeito generalizado. No fórum Clube do Hardware, um usuário descreveu reinicializações espontâneas de 3 a 4 vezes por dia, com perda de dados de sono e esportes e retorno ao idioma inglês — mesmo depois de três hard resets. Outro usuário confirmou o mesmo problema no mesmo tópico. Não é a experiência da maioria de quem compra o produto, mas é recorrente o suficiente para entrar nesta análise.
Dá para nadar ou tomar banho com ele?
Sim. A certificação declarada é 5 ATM, suficiente para natação em piscina e uso no banho sem necessidade de retirar o relógio antes.
Funciona com iPhone?
Sim. A compatibilidade oficial é com iOS 12.0 ou superior, além de Android 8.0 ou superior, ambos via app Mi Fitness.
Ele tem NFC para pagamento por aproximação?
Não. A ficha oficial não lista NFC entre os recursos, e nenhuma das análises independentes que consultamos menciona essa função no Redmi Watch 5 Active — diferente de outros modelos da própria Xiaomi que trazem a função em mercados específicos.
Vale a pena pelo preço que costuma ser vendido no Brasil?
Depende de onde ele está no momento. A Canaltech, em sua análise, foi direta: considerou o preço oficial praticado pela Xiaomi no Brasil alto frente a concorrentes como o Samsung Galaxy Fit 3 e o Huawei Band 9, que entregam parte das mesmas funções por menos. Como preço muda e este site não publica valores fixos, o conselho prático é comparar o preço do momento com o de modelos concorrentes antes de decidir.